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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

é disso que estou falando.....

Não estou falando de um mundo cor-de-rosa ou

 de pessoas perfeitas, sempre prontas para 

nos acolher, amar, caminhar ao nosso lado. 

Não falo disso, mas da tristeza nos olhos de 

quem vira as costas e a gente não vê. A 

beleza por dentro de um peito encouraçado 

que 

a gente não sente. A solidão de quem afasta 

um amor e se deita em camas tão frias. É do 

instante quando os olhos se perdem no nada e 

nenhuma mentira é capaz de enganar a si 

mesmo. É desse instante solitário, desse 

instante sem abraço, que eu digo. Todo mundo

 vai virar as costas ou dizer que merece 

coisa melhor ou debochar das mentiras que 

eles contaram… mas a gente pode sempre 

voltar e acolher com amor, ser os primeiros a 

começar. Afinal, se a hostilidade do mundo 


despertar a nossa, quem vai ser o primeiro a 

sorrir?

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Desculpas



— E você, por que desvia o olhar?

(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarrá-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)
— Ah. Porque eu sou tímida.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

sobre aquela espera...


Quando eu saí de uma importante depressão, eu disse a mim mesma que o mundo no qual eu acreditava deveria existir em algum lugar do planeta. Nem se fosse apenas dentro de mim... Mesmo se ele não existisse em canto algum, se eu, pelo menos, pudesse construi-lo em mim, como um templo das coisas mais bonitas em que eu acredito, o mundo seria sim bonito e doce, o mundo seria cheio de amor, e eu nunca mais ficaria doente. E, nesse mundo, ninguém precisa trocar amor por coisa alguma porque ele brota sozinho entre os dedos da mão e se alimenta do respirar, do contemplar o céu, do fechar os olhos na ventania e abrir os braços antes da chuva. Nesse mundo, as pessoas nunca se abandonam. Elas nunca vão embora porque a gente não foi um bom menino. Ou porque a gente ficou com os braços tão fraquinhos que não consegue mais abraçar e estar perto. Mesmo quando o outro vai embora, a gente não vai. A gente fica e faz um jardim, qualquer coisa para ocupar o tempo, um banco de almofadas coloridas, e pede aos passarinhos não sujarem ali porque aquele é o banco do nosso amor, do nosso grande amigo. Para que ele saiba que, em qualquer tempo, em qualquer lugar, daqui a não sei quantos anos, ele pode simplesmente voltar, sem mais explicações, para olhar o céu de mãos dadas.