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segunda-feira, 4 de julho de 2016

refém



Com dias programados, se desprogramou de grandes 

expectativas. Não atendia aos telefonemas do inesperado. 

Se tornou estrada com placas demarcando limites. Quando 

sentimentos desavisados resolviam fazer "canturia" nas 

janelas do seu coração, de imediato passava a tranca 

no sótão dos sonhos e dormia embalada pelo silêncio da 

noite. Mesmo com todo esse cuidado, em um piscar de 

olhos foi sequestrada por um sorriso, sua armadura 

queimada por palavras docemente firmes. Bastou um 

pequeno gesto e todos os muros, toda a segurança havia 

caído. Se tornou uma sem teto, com pés descalços, sorriso 

fácil, refém nos braços da poesia.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Clareando Pensamentos


Ela falava de sonhos sem medo de parecer ridícula. Gostava da leveza descompromissada de vez ou outra marcar encontro com seu livro favorito. Colecionava filmes água com açúcar sem se preocupar com o que achavam do seu intelecto. Enquanto todos buscavam o dourado do sol, ela comemorava o cheiro da chuva perfumando a casa. Afinal,era feita de barro, podia ser moldada de acordo com os dias e se o resultado não fosse o esperado, se deixava quebrar e se refazia. 

Redescobriu novos sabores nas palavras: tranquilidade, equilíbrio, alegria, palavras conhecidas que agora eram degustadas, lambuzadas, vividas. Descobriu com tristeza pessoas vazias. Não sabia se existia culpa, apenas identificou uma necessidade urgente de atenção, cuidado, tempo. Pois é, a gente precisa dedicar um pouco mais tempo pra um sorriso, um abraço, um conte comigo. Pessoas ficam amargas porque ficam por muito tempo sem experimentar o doce sabor da palavra gentileza. Só consegue ser gentil quem não espera nada em troca.

Estava agora, em um de seus passeios noturnos a conversar com o vento. E quando a noite era só breu, enfeitava os cabelos com estrelas para clarear os pensamentos.


[Renata Fagundes]

sábado, 10 de agosto de 2013

Constante Inconstância

..ele sempre dizia - meu maior medo é perder a lucidez. Ela, que nada tinha de lúcida ouvia sua teoria de folhetim, palavras requentadas, experiencias que outros viveram para que ele se poupasse do trabalho. 

Descalça, entrou no sótão da alma com cuidado para não acordar lembranças adormecidas. Era incrível como a tal lucidez nunca a havia visitado. Apesar do pó do tempo, era possível sentir a intensidade dos momentos, ainda se identificava a vivacidade das cores, o som dos sorrisos em fotos amareladas, o perfume de lugares e pessoas. Se viu ali, em pedaços, papel repicado colorindo o chão da memória, cantiga de roda, vinil colorido, histórias inacabadas. Não era exemplo a ser seguido. Era caminho, estrada, poeira de chão que o vento leva pra dançar em territórios distantes, era sorriso de gente estranha, lágrima quente que faz morada na boca, braços dançarinos e abraço de pernas. Concluiu que, mais que palavras bem colocadas, era feita de pedaços de loucura que ainda eram degustados...

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Tempo que chega

Chega um tempo em que você não se preocupa com o tempo. Se lembra apenas que esqueceu a ansiedade pelo caminho, que deixou de berrar pra provar que esta com a razão, que desistiu de esperar demais das pessoas, pois descobriu que pessoas oferecem o que são. Aprende a sorrir dos que subestimam sua inteligência. Desaprende de se justificar porque sabe que quem te ama, te entende, te aceita e te quer por perto apesar de você ser quem é. 

Chega um tempo em que você prefere estudar (viver) humanas que exatas, pois descobre que coração não entende de exatidão.

Chega um tempo em que você para de olhar, aprende a enxergar. Para de correr, aprende a caminhar. Para de gritar, aprende a assoviar.

Chega um tempo em que você deixa as expectativas de futuro para os mais apressados e prefere descansar nos braços do agora. Se despede de todos os ontens, pois sabe que sua história mais interessante será escrita hoje.

Chega um tempo em que você joga a palavra felicidade no google e não encontra nada, pois ela esta dormindo ao seu lado, esta no telefone com suas vozes infantis preferidas, esta no abraço grande do seu irmão, esta na resposta da sua oração. 

Chego a me perguntar se me perdi no tempo, pois não reconheço a garota de anos atrás, a mulher de um dia desses. Talvez tenha chegado atrasada no encontro que marquei com o tempo. Confesso que não me decepcionei ao olhar nos olhos da mulher diante do espelho, uma mulher que ainda não desvendei. Mas  ela não assusta, pois estou prestes a descobrir.



 

sábado, 15 de junho de 2013

O INESPERADO


O inesperado me fascina. Nossa visão momentânea é cega, pois se concentra apenas no que nossos olhos conseguem alcançar. inesperado vê além dos fatos pra ele, nada é o que parece. Acho até que ele se diverte com nossas agonias. Consigo visualiza-lo com um sorriso sarcástico dizendo: espere por mim... Aprendi a confiar nele, a me deixar conduzir. Nunca me arrependi. Pois sei que ele está a espreita, esperando eu me distrair.

 

terça-feira, 7 de maio de 2013

é!

Palavra revelada é fotografia da alma.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Não estou aqui.



"Hoje to me sentindo ausente. Não quero esparramar verdades, feito bola de gude e esperar que as pessoas caiam. Também não encontro nada racional aqui dentro. Tentar decifrar nossos próprios enigmas é virar esfinge e devorar a própria criatividade e bom humor. Se sou avessa a perguntas, a troco de que vou me questionar? Não tenho medo das respostas, tenho preguiça de diálogo - monólogo - interior. Me encontro perdida em um mundo além das minhas janelas, Alice pós moderna. Cansei de brigar com meus pés que insistem em não permanecerem no chão. Acho que virei pipa, bola de sabão, nuvem de algodão."