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terça-feira, 19 de novembro de 2013
Bifurcação
Vasculhando nas memórias algum assunto, encontrei a carta que eu rabisquei na capa de um livro: “pra você”, era o destinatário. Não sei por que não mandei, talvez não quisesse passar a limpo o passado. Em letras garrafais eu te dizia: “acertei o caminho não porque segui as setas, mas porque desrespeitei todas as placas de aviso”. E achei curioso eu usar essa metáfora sem nem ao certo saber o que queria te dizer com isto. E depois de repousadas aquelas palavras eu percebi quanta coisa eu escrevi pra você, querendo dizer pra mim. Porque eu jamais chegaria aonde cheguei se só andasse em linha reta. Tive que voltar atrás, andar em círculos, perder dias, perder o rumo, perder a paciência e me exaurir em tentativas aparentemente inúteis pra encontrar um quase endereço, uma provável ponte: a entrada do encontro.Você tão ocupado com seus mapas, tão equipado com sua bússola, demorou tanto, fez sinais de fumaça e não veio. Você simplesmente não veio. Mas me ensinou a intuir caminhos certos, a confiar nos passos, a desconfiar dos atalhos. Porque eu estava do outro lado e só. Sem amparo. Mas caminhava. E você estava absolutamente equipado com seu peso. E impedido de andar por seus medos.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
já que sou o jeito é ser
Um dia ouvi que eu era a pessoa mais importante para alguém. Na época, aquilo era essencial para mim: ser promovida pela reciprocidade. E o tempo, imperador dos destinos todos, desgastou os mármores, mas manteve intacto aquele amor: ele sobreviveu à relação finda. E eu perdera o meu alto cargo de importância para aquele alguém. Convalescente, mas em recuperação da suposta infelicidade de um ego magoado, tive que descobrir outra forma de amor: uma espécie rara que dá perenidade ao bem-estar e põe o ego em seu lugar. Eu me tornei a pessoa mais importante para mim. Quem poderia me tomar isto? O tempo? Hoje, as pessoas vão e vêm. Recebo-as, rejeito-as, tolero ou amo. A poesia não me tira os sentimentos vis, nem as doçuras de um ser humano. Um dia me chamaram de radical. Aceitei: só eu sei a importância que as coisas têm para mim e o propósito de mantê-las ou não na minha vida. Em outra ocasião, me chamaram de amorosa. Compreendi: pessoas amoráveis extraem o que tenho de melhor. Já me disseram que pareço um personagem. Entendi: sendo povoada por tantas, quão imprevisível posso ser na liberdade que me permito ter. Não me importo com o que julgam, sempre serei espelho e sempre terei o Outro como meu espelho. Somos extensão. Estejamos ou não em harmonia ou comunhão, dedico carinhosamente o meu tempo compartilhando minha nudez. Aos que veem máscaras e vestes, sou impotente a estas leituras. Aos que veem generosidade e amparo, sou impotente à beleza que me dão. Sou impotente ao olhar alheio. Não tenho o controle de absolutamente nada, mas o meu trabalho consiste em eu não me rejeitar.
Diariamente eu fortaleço minha autoestima assim:
Hoje, nem que seja apenas hoje, eu sou a pessoa mais importante para mim.
Que assim eu esteja.
Que assim seja.
[Marla de Queriroz]
domingo, 30 de dezembro de 2012
Certos desejos certos
Só deseja um amor saudável, quem já viveu uma
paixão dilacerante. Porque a paixão corroía tudo por dentro até tirar o
fôlego, mas até a dor parecia bonita: aquele único instante de
felicidade com o Outro compensava os trezentos outros de infelicidade.
Só deseja ter um dia tranquilo, sossegado, quem tem a intensidade à flor
da pele, quem acorda suspirando a vida, devorando o dia, se lambuzando
de tudo sem conseguir tocar nas coisas com a ponta dos dedos. Só deseja
constantemente a companhia das palavras quem escreve. Para estas, o
silêncio nunca é mudo, é sempre uma possibilidade. Só consegue
vislumbrar a paz quem se investiga, quem tem Consciência do que deseja e
pode ou não obter, quem aprendeu a lidar com o imediatismo.
A escrita ensina a esperar, a escutar a letra da música e depois a melodia, juntas e separadas. A escutar a história do Outro sem fazer intervenções antes da conclusão. A compreender que os espertinhos são aqueles que sempre vão terminar levando uma rasteira da própria ingenuidade, porque perderam a inocência. Só consegue acordar para a vida, quem viveu solitário e insone dentro de uma noite interminável e caminhou sonolento pelo resto do dia, quem perdeu o sol. Só consegue apreciar a nudez, quem não é vulgar. Quem percebe com naturalidade que um corpo é como uma árvore, que o seu ambiente é extensão do meio ambiente e que, juntos, ambos são um ambiente inteiro. Só julga acidamente os Outros o tempo todo quem é recalcado. Quem se aprisionou na ideia do que é ridículo e não consegue suportar um ser autêntico. Só consegue ser irônico, quem é inteligente. Só consegue ser doce, quem já foi ferido e curado pela espiritualidade.
Só consegue o que quer os que têm desejos justos. E acreditam.
A escrita ensina a esperar, a escutar a letra da música e depois a melodia, juntas e separadas. A escutar a história do Outro sem fazer intervenções antes da conclusão. A compreender que os espertinhos são aqueles que sempre vão terminar levando uma rasteira da própria ingenuidade, porque perderam a inocência. Só consegue acordar para a vida, quem viveu solitário e insone dentro de uma noite interminável e caminhou sonolento pelo resto do dia, quem perdeu o sol. Só consegue apreciar a nudez, quem não é vulgar. Quem percebe com naturalidade que um corpo é como uma árvore, que o seu ambiente é extensão do meio ambiente e que, juntos, ambos são um ambiente inteiro. Só julga acidamente os Outros o tempo todo quem é recalcado. Quem se aprisionou na ideia do que é ridículo e não consegue suportar um ser autêntico. Só consegue ser irônico, quem é inteligente. Só consegue ser doce, quem já foi ferido e curado pela espiritualidade.
Só consegue o que quer os que têm desejos justos. E acreditam.
terça-feira, 10 de abril de 2012
Acertei o caminho......
Vasculhando nas memórias algum
assunto, encontrei a carta que eu rabisquei na capa de um livro: “pra
você”, era o destinatário. Não sei por que não mandei, talvez não
quisesse passar a limpo o passado. Em letras garrafais eu te dizia:
“acertei o caminho não porque segui as setas, mas porque desrespeitei
todas as placas de aviso”. E achei curioso eu usar essa metáfora sem nem
ao certo saber o que queria te dizer com isto.E depois de repousadas
aquelas palavras eu percebi quanta coisa eu escrevi pra você, querendo
dizer pra mim. Porque eu jamais chegaria aonde cheguei se só andasse em
linha reta. Tive que voltar atrás, andar em círculos, perder dias,
perder o rumo, perder a paciência e me exaurir em tentativas
aparentemente inúteis pra encontrar um quase endereço, uma provável
ponte: a entrada do encontro.Você tão ocupado com seus mapas, tão
equipado com sua bússola, demorou tanto, fez sinais de fumaça e não
veio. Você simplesmente não veio. Mas me ensinou a intuir caminhos
certos, a confiar nos passos, a desconfiar dos atalhos. Porque eu estava
do outro lado e só. Sem amparo. Mas caminhava. E você estava
absolutamente equipado com seu peso. E impedido de andar por seus medos.
domingo, 8 de abril de 2012
O que me importa é sentir meu coração bater por todo o corpo.
E
se, de repente, a melancolia quiser me fazer companhia? Isto faz parte
da vida e nem é a parte mais importante. Eu posso lidar com todas estas
emoções desde que aprendi a identificá-las e me aprofundar nelas sem que
isto me doa, mas que me humanize, me torne mais humilde e me aprimore
para que eu seja uma pessoa boa.
E se, de repente, eu tivesse planejado um dia de absoluta alegria?
Ótima oportunidade
para aprender que não tenho o controle de nada e que sentimentos
surgem, às vezes, sem motivo, sem rosto, sem réus, sem antecipar suas
pegadas.
Então, nestes instantes, me resta observar, já que me
permito mergulhar nos extremos para só depois fazer minhas escolhas. Eu
não temo a vida, eu a tenho em mim: vibrando, pulsante, uns dias
destemperada, em outros dias picante.
O que me importa é sentir meu
coração bater por todo o corpo. E poder fechar os olhos se sentir
saudades, ou abri-los bem para a sempre nova rotina chamada realidade.
Eu não quero nada além do que mereço: caminhar serena dentro do meu
poema, respeitar todo e quaisquer momentos, saber utilizar meus
aprendizados, amar e ser amada quando for meu tempo.
Sei que passam a saudade e a tristeza e o entusiasmo que vivem comigo. Por isso, faço do transitório meus amigo.
O que a vida exige de mim é constante aceitação e mudança_ para que eu
continue sendo merecedora da minha Boa Sorte e valorize a cada dia mais a Esperança.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Iansã dos ventos
Entre um cigarro e uma fresta de desespero, eu escolho a palavra. Tenho
raiva de dores que me calam fundo. Filha de Iansã dos Ventos, eu mudo a
direção das chuvas se pretendo outro tempo ou momento. Meu corpo é cais e
mar aberto. Meu coração é caos, céu encoberto. Minha mente, esse
relâmpago de luz.A escolha é sempre extrema. Não me comovem tuas palavras
tão amenas. Então que minha sede traga tempestades e que meus seios
incitem teus maiores incêndios. Não gosto de superfícies ilesas, eu
busco o de dentro. Posso transformar tristeza em raiva pra sentir mais
força. Posso afogar minha doçura num rio de águas tão enjoativas. Mas
sei reverenciar o mar que temo.
E quando eu te tiver nos braços, Obaluaiê, me escuta: você terá a realidade dos teus sonhos. Não pretenda minha fúria, queira-me mansa.Não pretenda minha mansidão, queira-me intensa. Perceba quando eu digo um sim dentro de um não.
E quando eu te tiver nos braços, Obaluaiê, me escuta: só te restará a escolha entre a tempestade e o furacão.
E quando eu te tiver nos braços, Obaluaiê, me escuta: você terá a realidade dos teus sonhos. Não pretenda minha fúria, queira-me mansa.Não pretenda minha mansidão, queira-me intensa. Perceba quando eu digo um sim dentro de um não.
E quando eu te tiver nos braços, Obaluaiê, me escuta: só te restará a escolha entre a tempestade e o furacão.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
O amor tirou de mim tudo que era falta
'O que me interessa no amor, não é apenas o que ele me dá,
mas principalmente, o que ele tira de mim:
a carência, a ilusão de autossuficiência,
a solidão maciça, a boemia exacerbada para suprir vazios.
Ele me tira essa disponibilidade eterna para qualquer um,
para qualquer coisa, a qualquer hora.
Ele apazigua o meu peito
com uma lista breve de prós e contras.
Mas me dá escolhas.
Eu me percebo transformada pelo que o amor
tirou de mim por precisar de espaço amplo
e bem cuidado para se instalar.
O amor tira de mim a armadura,
pois não consigo controlar a vulnerabilidade
que vem com ele; tira também a intransigência.
O amor me ensina a negociar os prazos,
a superar etapas, a confiar nos fatos.
O amor tira de mim a vontade de desistir com facilidade,
de ir embora antes de sentir vontade,
de abandonar sem saber por quê.
E é por isso que o amor me assombra
tanto quanto delicia.
Porque não posso virar as costas
pra uma mania quando ela vem
de uma pessoa inteira.
Porque eu não posso fingir que quero estar sozinha
quando o meu ser transborda companhia.
O amor me tira coisas que eu não gosto,
coisas que eu talvez gostasse,
mas me dá em dobro o que nunca tive:
um namoramento por ele mesmo.
O amor me tira aquilo que não serve mais
e que me compunha antes.
O amor tirou de mim tudo que era falta.'
[Marla de Queiroz]
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Local:
Campo Grande - MS, Brasil
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Inteira
Eu me recuso a amputar meus sentimentos.
Eu nasci para sentir com todos os meus membros.
(Marla de Queiroz)
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