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terça-feira, 16 de julho de 2013

nudez púrpura

No meu corpo nudez é muito mais sentimento do que fato.
E nasce no silêncio dos pensamentos teus.
De dentro para fora, feito flor do cerrado que tinge de púrpura toda aridez ao seu redor.
E dura até esgotarmos todo o desejo.

Nos sobra então o amor e a vontade de querer de novo.Sempre mais uma vez...

Porque só te sou nua se me percorre cada palmo,
Se esquece teus olhos em cima das minhas cores,
Se me faz despovoada, sépia, prá mais tarde poder me preencher.

No meu corpo nudez é muito mais.
 
J
á estive nua sem tirar uma peça de roupa sequer...

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Sobre a duração das coisas



Ele durava pouco.
E a noite era imensa.
A menina tão linda, tão safa, tão dele, e mesmo assim ele não sabia mais ficar.
Mas ela insistia.
E via nele coisas que estranhamente ninguém mais reparava.
Via seus olhos de luz.

Mas ele não acreditava mais, então nem percebia.
E ali, ao seu lado, a menina esteve sempre só.

Das vezes que volto pra mim

Deixei poucas pessoas conhecerem a mulher que me habita. Essa de verdade, cheia de imperfeições e desordens íntimas, mas que carrega mais ternura do que se pode imaginar. Eu e meus olhos atrevidos, minha fome de amor, e essa fragilidade engraçada de quem quer ser a protagonista de um sonho bom.Não que eu quisesse um compromisso com a eternidade, mas poucos souberam do meu corpo, das minhas marcas, das manhãs de preguiça e do rosto sem maquiagem. É que preciso acreditar para me mostrar. Porque se mostro meus medos, minhas incoerências e fraquezas, e só o que consigo é uma rasteira, fico tão desabitada.Sou uma cidade vazia.

Acho que é por isso que por muito, muito pouco, fecho a porta e volto para a minha vida.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Depois do café da tarde....


Decidi.
Baixei a guarda.
Vou me permitir trocar a eternidade pelo instante. (e isso para uma capricorniana, acredite,  é quase um milagre)
É que você me olha como se o mundo fosse acabar nos próximos três minutos, como se a gente não pudesse nunca mais adiar um beijo, um toque, um cheiro.
E essa urgência vai derretendo tantas culpas, tantas razões...
Agora sei que distante o desejo castiga,
e que entre o ‘certo’ e o ‘errado’ está a vida.
Se nossas bocas se precisam, se pode ser palpável, se teu cheiro quer ficar em mim, então te conto todos os segredos que moram entre o meu pescoço e os meus seios.
São teus. 
Guarda com você.
Me guarda com você.
E seja o que tiver de ser.
(e não são correntes se arrastando, só auto permissão =D)

Sobre o que sou e o que quero


Eu podia ser mais magra, ter uma boca maior, e muito menos rugas. Mas tenho cuidado mais da minha musculatura emocional do que da outra.
E ando bem cansada dessa gente que se gaba só disso.
Gosto quando vejo em alguém que uma camada se levanta. Depois outra. E mais uma. Cada qual mais bonita, mais misteriosa.
Gosto do corpo possível, da fragrância que vem da alma, do prazer das simplicidades.
Bonito é ser a gente.
É a comunhão do visível e do invisível.
Bonito é isso,
e a liberdade de viver assim é boa demais para se renunciar.

historinhas, muitas.

Olho para essa menininha que já fui, e sorrio. Aposto como, nem de leve, ela podia imaginar a mulher que me tornei. Percebo que ainda temos os mesmos olhos, embora agora estejam mais cansados.De vez em quando faço isso, volto ao meu quintal ancestral… às vezes gosto, às vezes não, de ver a passagem do tempo. Mas não conto a ela, tão pequena, tão doce, desse meu possível endurecimento. Não por proteção, mas por delicadeza.A menininha que já fui olha para mim como se eu fosse uma verdade metafísica. Não sou. Talvez ela é que tenha sido, mas não tem importância, porque uma coisa é certa, e essa eu conto à ela : não fiquei só sentada ouvindo as historias dos outros… Fui, e vivi. E tenho tido tanta coisa para contar…