quarta-feira, 4 de abril de 2012

Difícil é amar quem não está se amando


"É fácil amar o outro na mesa de bar, quando o papo é leve, o riso é farto, e o chope é gelado.
É fácil amar o outro nas férias de verão, no churrasco de domingo, nas festas agendadas no calendário do de vez em quando.
Difícil é amar quando o outro desaba. Quando não acredita em mais nada. E entende tudo errado. E paralisa. E se vitimiza. E perde o charme. O prazo. A identida...de. A coerência. O rebolado.
Difícil amar quando o outro fica cada vez mais diferente do que habitualmente ele se mostra ou mais parecido com alguém que não aceitamos que ele esteja.
Difícil é permanecer ao seu lado quando parece que todos já foram embora. Quando as cortinas se abrem e ele não vê mais ninguém na platéia. Quando o seu pedido de ajuda, verbalizado ou não, exige que a gente saia do nosso egoísmo, do nosso sossego, da nossa rigidez, do nosso faz-de-conta, para caminhar humanamente ao seu encontro.
Difícil é amar quem não está se amando.
Mas esse talvez seja, sim, o tempo em que o outro mais precisa se sentir amado. Eu não acredito na existência de botões, alavancas, recursos afins, que façam as dores mais abissais desaparecerem, nos tempos mais devastadores, por pura mágica. Mas eu acredito na fé, na vontade essencial de transformação, no gesto aliado à vontade, e, especialmente, no amor que recebemos, nas temporadas difíceis, de quem não desiste da gente."

segunda-feira, 2 de abril de 2012

feliz!

Recuperei alguns posts graças ao RSS . Minha irmã me repassou alguns e vou posta-los novamentes cconforme o tempo disponível. =)

As várias faces de Jackie S.




{Quem é Jackie S. - breve biografia, a título de prólogo}

Jackie S. nasceu ao som de “Toreador” de Carmem, de Bizet, 19 anos depois do nascimento de Jaqueline da Silva Só (Silva de mãe e Só de pai, que nunca teve). Jackie S. habita uma caixa lilás (tam. 23 x 35 x 12 cm), localizada em uma sacola amarela das antigas Casas Pernambucanas, que, por sua vez, faz parte de um país chamado Terceira Gaveta da Cômoda, uma ilha no hemisfério sul do planeta chamado Quarto de Jaqueline.
Jackie S. tem olhos nublados, cabelos curtos, unhas roídas,
sorriso pequeno, e usa pantufas cor de rosa para ir ao
supermercado. Toma café em copo de geléia, que segura com as duas mãos porque sente muito frio nos joelhos. E não gosta de batatas fritas. Jackie S. é ambidestra e escreve mal com os dois pés. Tem talento para a música, mas a
cada 28 dias perde a voz, que escorre por suas pernas
chegando a manchar o lençol. Jackie S. largou a escola, o
namorado, a mãe, o cigarro e o arroz, tudo ao mesmo tempo, durante a grande Crise de Asma de 39. Jackie S. não está formada e, por conseguinte, não está pronta. Portanto, qualquer coisa que se diga sobre ela será mera especulação, mexerico, maledicência ou coisa que não o valha. Jackie S. tem aproximadamente 365,4 máscaras em seu guarda-roupa, e as escolhe de acordo com a cor da alma do dia, sempre após lamber o dedo mínimo da mão esquerda, levar a mão à janela e ver a direção do vento: Jackie S. invariavelmente se decide pela direção oposta às correntes de ar, porque adora correr atrás de chapéus. Especialmente em meio à chuva.
Não é louca. Dizem.
Mas ninguém nunca contestou.

Me fez lembrar de alguém que já esqueci

A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.

A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo,
o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.

O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se,
o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.

Texto do Vinícius, apresentado por minha Pri Dadá com essa pergunta: te faz lembrar de alguém? A resposta foi o título....Obrigada Pri

Não espero.



Imagem de arquivo da minha amiga Luciana Abes

Ela vive para morrer de amor

Ela ainda vive com as asas que lhe foram dadas, o coração na boca liberto e cansado de tantas outras quedas, um pé no chão como atalho pra qualquer fuga.
Não recebe nada em troca, ainda tem o seu amor como garantia e esse, talvez só dure em liberdade.
Pincela em rostos estranhos o que tanto sonhara ou ao menos, imagina em outros quadros os olhos que deseja admirar sem desvios. Os muros do seu coração caem por terra a cada amanhecer em que seus desejos não são dissipados.
Mesmo à beira da loucura e inconstante, ela segue. Que ninguém tente lhe arrancar desse devaneio, a vida pra ela é só mais um, talvez o mais doce e perturbador.
Entorpecida, pressiona a razão pra que ela escorra entre os dedos. Não sabe amar pela metade. Vive pra morrer de amor.

Não estou aqui.



"Hoje to me sentindo ausente. Não quero esparramar verdades, feito bola de gude e esperar que as pessoas caiam. Também não encontro nada racional aqui dentro. Tentar decifrar nossos próprios enigmas é virar esfinge e devorar a própria criatividade e bom humor. Se sou avessa a perguntas, a troco de que vou me questionar? Não tenho medo das respostas, tenho preguiça de diálogo - monólogo - interior. Me encontro perdida em um mundo além das minhas janelas, Alice pós moderna. Cansei de brigar com meus pés que insistem em não permanecerem no chão. Acho que virei pipa, bola de sabão, nuvem de algodão."

Sobre a vida endurecer

"Essa vida viu, Zé. Pode ser boa que é uma coisa. Já chorei muito, já doeu muito esse coração. Mas agora tô, ó, tá vendo? De pedra. Nem pena do mundo eu consigo mais sentir. Minha pureza era linda, Zé, mas ninguém entendia ela, ninguém acolhia ela. Todo mundo só abusava dela. Agora ninguém mais abusa da minha alma pelo simples fato de que eu não tenho mais alma nenhuma. Já era, Zé. É isso que chamam de ser esperto? Nossa, então eu sou uma ninja. Bate aqui no meu peito, Zé? Sentiu o barulho de granito? Quebrou o braço, Zé? Desculpa!"

Previsão do tempo

Trégua nas instabilidades.
Não há previsão de pancadas de chuva e possíveis trovoadas.
As tempestades intensas e nebulosidades generalizadas se foram,
deixando uma lista de coisas para limpar e consertar.
Como se sabe, os temporais podem ser reveladores, mesmo que só para
nos mostrar onde o nosso telhado pinga...
O sol aparece com força e faz calor.
Infinita cores.
Tudo indica temperatura estável.
A brisa suave toca o rosto.
Entusiasmo.
É dia para embriagar-se no céu azul.
Dialogar com o próprio ser.
Encarar que há ocasiões para as quais não existem respostas.
Sentir desejos.
Traçar novos caminhos.
Assoprar as poucas nuvens de peito aberto e sorrir...

terça-feira, 27 de março de 2012

acidente

Não sei o que aconteceu que todos os posts de Novembro de 2011 pra cá foram apagados.
Estou arrasada =(

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Já que sou, o jeito é ser.*

Sou a que chora pelos motivos que ninguém vê
Aquela que tem uns medos que disfarça
Aquela que acredita quando não devia acreditar
Alguém que fala em demasia e não se entende
A que dança sabendo dançar e canta sem saber cantar
Que devia ir ao analista mas se deu alta
Imagina muito e sofre por antecedência
Conclui sem ouvir
E se esmera pra ser eloqüente
È afobada, ansiosa, corre e não sabe esperar
Acha que sabe muito da vida e não pensa na morte
Não sabe como vai morrer e nem quer saber
Aliás, espera não morrer
E nem acredita em milagres
Gosta de pastel e não ama chocolate
Cabelos escorridos desejando ser cacheada(mentira, o contrário)
Atrevida, briguenta,manteiga derretida, comovida sempre
Rosto sem assimetria, vesguice sutil, pés feios
Deseja um mundo paralelo no fundo do armário da biblioteca
Achava que podia ser Alice e hoje ta mais para Chapeleiro Maluco
Brinca com fogo e blefa no jogo
Foi uma criança feliz que brincava sozinha
Foi sempre forte e adulta porque não tinha escolha
Responsável, conselheira, equilibrada por necessidade
E dentro dela todas as cores do mundo
Vive intensamente, sem importar no que dê
E dá com os burros n’água (como dá)
Quando olho, vejo um gramado verde, um céu azul
Uma imensidão e uma criança fazendo suas escolhas
Essa sou eu. 

texto: Anna Duarte
Título: Clarice Lispector

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sobre o que não fomos, por Karla Tabalipa . (Ou Desamando)

 
 
Eu ia ser tão sua, que o mundo inteiro ia me olhar e enxergar você.
Ia me jogar no seu colo quando você chegasse, e passar o dia assim, morando no seu abraço.
Ia dedicar a você, banhos e poesias. Te beijar como se fosse a última vez. Te amar a noite toda, o dia inteiro, o resto da vida.
Não me importaria em ser clichê, piegas, melosa demais, se fosse só sua e você fosse só meu.
Ia lembrar de você escutando as músicas mais lindas do mundo, e te ligar de madrugada, só pra lembrar o quanto você é importante pra mim.
Ia ser toda sua. De corpo e coração. Ia encher sua carteira de bilhetes, lembrando o quanto você e lindo, e melhor do que todos os outros caras do planeta inteirinho.
Ia mandar mensagem no meio do dia pra não te deixar esquecer, que não esqueço de você.
Ia te prender com pernas, letras e coração. E ainda sim, te deixar ir, só pra te ver escolhendo ficar.
Ia ser sua paz e seu desassossego. Sua menina e sua mulher.
E sua, sempre sua, só sua. Tão sua, que ninguém ousaria tentar me tirar de você. Tão sua, que você não teria o menor medo de me perder.
Eu teria sido sua, se não fosse o medo de um dia você deixar de ser meu. 



Era bom.....

"Há alguns dias, Deus - ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus - enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro. Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer - eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom."

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Todos os sentimentos do mundo

 
delicada, carrega uma vontade enorme nas mãos, e todos os sentimentos do mundo. determinação e curiosidade nunca faltam, nem mesmo quando a preguiça insiste em ficar. leva o arco-íris em cada fio de cabelo e nos olhos, tudo o que cintilar. tem medo de reviravoltas muito bruscas, mas coragem suficiente para enfrentá-las. gosta de vermelho, roxo, cores, rimas, brisa fresca, sombra, música, violão, flores, arte, cinema, abraço, cheiros e tudo mais que provoca arrepios. procura sempre pela próxima poesia que a espera na esquina. e, quando encontra com si mesma, escreve. e como escreve. se entrega nas menores coisas, aprendeu que é assim que se descobre os pequenos prazeres. se preocupa um tanto com o futuro, mas não esquece que ele depende do agora. fica por demais feliz quando consegue levar alegria a alguém. cultiva jardins secretos e colhe bem-me-quer. algumas vezes, tem nuvens demais nos pés. gosta de descansar do chão. é muito mais chegadas que partidas, muito mais lua que sol. tem dias que amanhece urgências e inaugura noites. se equilibra na linha tênue, sem perder o compasso. leva uma certeza no bolso: guardar o tempo, ajuda a traçar o contorno da vida.

[Renata Carneiro, praticamente falando por mim]

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O contrário de dizer adeus pode se chamar amor. Ou de como me tornei leve.


Aproveito sua ausência pra matar as saudades de mim. Nem me lembrava do quanto posso ser doce, de como é gostoso acarinhar minhas carências e fazer minhas vontades.
Acho até que o destino cansou de me contrariar.
Ok, você sabe que não acredito em destino... Mas se acreditasse, escreveria um bilhetinho agradecendo a trégua dos últimos dias.
‘Senhor Destino, valeu o cessar fogo. Vamos poupar artilharia e promover a paz.’
Não que as coisas estejam em ritmo de final de novela. Ainda tem meia dúzia de personagens me incomodando e alguns arremates que preciso ajustar pra ficar satisfeita com o enredo.
Meu cabelo podia ser mais liso, meus textos mais engajados e você mais receptivo. Mas não tô reclamando, não. Ao contrário, ando flertando com as minhas qualidades e gostando mais de mim.
A ansiedade continua aqui, só que mais comportada. Vira e mexe me cutuca e ameaça birra. Aí dou bronca e ela senta cabisbaixa, com as perninhas balançando no ar.
Hoje de manhã acordei com o passado chutando a porta. Ameacei chorar. Pensei em voltar atrás, jogar pro alto a evolução e a placidez dos últimos dias. Corri pro espelho e ele me confidenciou que sou mais bonita sorrindo. Resolvido: sorri ao invés de berrar e escapei de ouvir ecos dos meus gritos.
Viu? Ainda sei me virar sozinha, embora você me vire do avesso como ninguém. Vai ver é esse o problema: não quero viver do avesso.
Dei carinho, apoio e espaço. Mas você é exageradamente adepto da calma. Corro o risco de receber sementes ao invés de flores.
Quer saber? Me importo, mas não me inflamo. Toma, um sorriso pra você também. Tô muito mais preocupada comigo, em manter os bons ventos que a vida anda soprando.
O que uns chamam de egoísmo, eu chamo de paz.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

pq é sexta-feira, dia de boteco



Dois pastel e um chopps!!!

Iansã dos ventos

Entre um cigarro e uma fresta de desespero, eu escolho a palavra. Tenho raiva de dores que me calam fundo. Filha de Iansã dos Ventos, eu mudo a direção das chuvas se pretendo outro tempo ou momento. Meu corpo é cais e mar aberto. Meu coração é caos, céu encoberto. Minha mente, esse relâmpago de luz.A escolha é sempre extrema. Não me comovem tuas palavras tão amenas. Então que minha sede traga tempestades e que meus seios incitem teus maiores incêndios. Não gosto de superfícies ilesas, eu busco o de dentro. Posso transformar tristeza em raiva pra sentir mais força. Posso afogar minha doçura num rio de águas tão enjoativas. Mas sei reverenciar o mar que temo.
E quando eu te tiver nos braços, Obaluaiê, me escuta: você terá a realidade dos teus sonhos. Não pretenda minha fúria, queira-me mansa.Não pretenda minha mansidão, queira-me intensa. Perceba quando eu digo um sim dentro de um não.
E quando eu te tiver nos braços, Obaluaiê, me escuta: só te restará a escolha entre a tempestade e o furacão.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Do que me lembro

Hoje revi minhas escolhas.
Ao contrário do que sempre defendi,
nem sempre segui meu coração.
Algumas vezes tive que escolher
o que achava que seria melhor para aquele momento,
não necessariamente pra mim. Mas fiz.
 Mesmo correndo todos os riscos.
Mesmo com o coração doendo.
Mesmo que eu tivesse que perder
as pessoas que mais amava para.
Mesmo que um pedaço de mim tenha ficado.
Mesmo que isso. Mesmo que aquilo.
 Mesmo que tudo.
Mesmo tendo que deixar um passado
lindo pra trás. Mesmo assim...
eu segui um caminho.
Eu não sei o que vai ser amanhã.
Nem no mês que vem.
Menos ainda os próximos que virão.
O que sei é que a trilha
do meu destino sou eu quem faço.
E nem tudo o que vai, vai pra pra sempre.
Há o recomeço.
Há que se ter força para não desistir.
E eu continuo... 
Sempre me encontrando,
Sempre surpresa comigo mesma.
Vez por outra lembro daquele dia,
daquela tarde, do sol,
daquela música,
daquele abraço,
do teu cheiro,
das tuas manias.
Lembro também de mim,
de como eu era quando estava com você,
do que eu aprendi,
do que eu vivi,
do que eu sorri,
do que eu cantei,
do amor,
de nós.
Da inteireza de você em mim.
Do que permanece.

Bronca

Vá trabalhar, coração vagabundo!

O amor tirou de mim tudo que era falta


'O que me interessa no amor, não é apenas o que ele me dá, 
mas principalmente, o que ele tira de mim: 
a carência, a ilusão de autossuficiência, 
a solidão maciça, a boemia exacerbada para suprir vazios. 
Ele me tira essa disponibilidade eterna para qualquer um, 
para qualquer coisa, a qualquer hora. 
Ele apazigua o meu peito 
com uma lista breve de prós e contras. 
Mas me dá escolhas. 
Eu me percebo transformada pelo que o amor
 tirou de mim por precisar de espaço amplo 
e bem cuidado para se instalar. 
O amor tira de mim a armadura, 
pois não consigo controlar a vulnerabilidade 
que vem com ele; tira também a intransigência. 
O amor me ensina a negociar os prazos, 
a superar etapas, a confiar nos fatos.
 O amor tira de mim a vontade de desistir com facilidade,
 de ir embora antes de sentir vontade, 
de abandonar sem saber por quê.
 E é por isso que o amor me assombra 
tanto quanto delicia. 
Porque não posso virar as costas
 pra uma mania quando ela vem 
de uma pessoa inteira. 
Porque eu não posso fingir que quero estar sozinha
 quando o meu ser transborda companhia. 
O amor me tira coisas que eu não gosto, 
coisas que eu talvez gostasse, 
mas me dá em dobro o que nunca tive: 
um namoramento por ele mesmo. 
O amor me tira aquilo que não serve mais 
e que me compunha antes.
 O amor tirou de mim tudo que era falta.'


[Marla de Queiroz]